quarta-feira, 14 de março de 2012

tetraminós

outra partida de tetris se iniciava. as linhas não se desintegravam e sentada ao lado da moça percebia a  relação entre a pilha de peças que aumentava, o barulho das conversas e as pernas multiplicadas. a sirene profetizava o adeus àquela estação, e a torcida para que o homem com duas bolsas nos olhos olhasse para o jogo tornava o dilema da volta menos fracassado.
o jeito alcoólatra dele desarranjava o conjunto das pernas multiplicadas, riscava a lógica da multidão, do tumulto. a pontuação encarnada nos disparos de toques meio videogame incomodava uma fileira de homens carecas. menos ele, o de blusa verde que enchia a bochecha de um ar cínico. o olho estriado fugia do sono, das pernas e do pop.

2 comentários:

  1. voltam os dilemas! bolsas multiplicam-se em olhos pops de pernas macias até recordarem-se da careca que cresce na fronte ao ritmo do pescoço da moça que se enruga. Portanto...

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  2. o mesmo pescoço com aquele órgão fibromuscular sonolento e quase sadio.

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