terça-feira, 1 de março de 2011

A literatura e a vida:

“A literatura aparece, então, como empreendimento de saúde: não que o escritor tenha forçosamente uma saúde de ferro, mas ele goza de frágil saúde irresistível, que provém do fato de ter visto e ouvido coisas demasiado grandes para ele, fortes demais, irrespiráveis, cuja passagem o esgota, dando-lhe , contudo, devires que uma gorda saúde dominante tornaria impossíveis. Do que viu e ouviu, o escritor regressa com os olhos vermelhos, com os tímpanos perfurados. Qual saúde bastaria para libertar a vida em toda a parte onde esteja aprisionada pelo homem e no homem, pelos organismos e gêneros e no interior deles? A saúde como a literatura, como a escrita, consiste em inventar um povo que falta. Compete à função fabuladora inventar um povo.”

(DELEUZE, Crítica e Clínica)

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