sexta-feira, 16 de julho de 2010

Sobre a partida: notas para embalar a saudade

"Break on through to the other side"

Meu melhor amigo partiu. Não está morto. Como um doce personagem de seus livros lançou-se ao devir das páginas, dos ventos do sul, dos rostos anônimos.
Na miríade de possibilidades preteriu às esquinas, escolheu dobrar as estradas, avistar as grandes placas verdes e seus alertas de distâncias.
Amigo do relógio sem ponteiros, anarquista das horas claras, arquiduque dos bailes sem fim.
Na amizade o espaço lúdico, libertário das interações afetivas resiste às hierarquias, normas e identidades de gênero, a amizade em performance com o bem querer derrui as previsões e expectativas da heterossexualidade compulsória de que entre menino e menina esse modo de subjetivação não pode existir.
Das jornadas em que o outro era o punk e se tornou amigo: um mundo de sentimentos, barcos de histórias, alegrias, epistemologias, medos, exageros.

Se naufragar é preciso Castile, cuidado com os corsários!

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